Premiado como Melhor Espetáculo do Prêmio Braskem de Teatro 2019, no qual recebeu seis indicações e também levou o troféu de Categoria Especial pelo figurino e adereços de Luiz Santana, “Vermelho Melodrama” mergulha no gênero do melodrama e, a partir de suas típicas construções, aciona questionamentos sobre as dimensões melodramáticas de nossa própria realidade. Baseada em texto do dramaturgo Gildon Oliveira, com adaptação e encenação de Jorge Alencar, a peça, realizada pela Dimenti Produções Culturais, estreou em 2019 e foi reativada sete anos depois, em 2026.
Segredos inconfessos, triângulos amorosos e paixões inflamadas se cruzam com o melodrama de acontecimentos políticos do Brasil e do mundo. A história central, inspirada no famoso “crime do ketchup”, ocorrido no interior da Bahia em 2011, gira em torno dos órfãos Lúcio Mauro, Carlos Manuel e Lurdes Maria, que foram criados como irmãos. O motor dramatúrgico é uma carta que não foi entregue a seu destinatário, guardando uma revelação que pode mudar o destino de cada personagem.
À medida em que se desenrola a narrativa principal, o elenco faz pausas para comentar as cenas, ler cartas e fazer associações com situações da realidade, com filmes, textos e outras criações artísticas: numa dinâmica entre vivenciar a trama e dialogar sobre a própria experiência cênica, as emoções são amplificadas e põem sentimentos à frente de um pensamento exclusivamente racionalista. Citações de Clarice Lispector, Isildinha Baptista Nogueira, Linn da Quebrada e Georges Didi-Huberman levantam questões como o direito ao amor na contemporaneidade.
O texto original, “Vermelho rubro amoroso… profundo, insistente e definitivo!”, é como uma ode ao melodrama por detalhar meticulosamente a sua arquitetura. Gênero dramático que se firmou no teatro francês no final do século XVIII, caracterizado principalmente pelo acesso direto à sentimentalidade do espectador, o melodrama, desde seu nascedouro, teve grande apelo popular ao mesclar dramaturgia, música, pantomima, narrativas corporais, vaudeville e comédia ligeira. Largamente presente na cultura brasileira, o melodrama é evidenciado na peça como fenômeno atual que atravessa, de diversas formas, as nossas subjetividades: afetos, valores, pensamentos, singularidades.
SINOPSE
Um melodrama sobre uma carta que não foi entregue. A história de três órfãos que foram criados como irmãos e cujas vidas foram atravessadas por amores inconfessos, segredos do passado e grandes reviravoltas. Em meio a tempestades de emoções, algumas perguntas vêm à tona: você acredita no destino? Onde reside a potência de uma carta nesta era digital? Como ativar emoções que movem mudanças? Até quando vai o melodrama da vida política de nosso país, do mundo? “Vermelho Melodrama”. Como cor de esmalte. Como transbordamento.
VERMELHO MELODRAMA
Peça teatral baseada na obra de Gildon Oliveira: “Vermelho rubro amoroso… profundo, insistente e definitivo!”
Direção e adaptação: Jorge Alencar
Criação e elenco: Diogo Lopes Filho, Jorge Alencar/Vinicius Bustani, Lia Lordelo, Neto Machado e Véu Pessoa
Criada em colaboração com: Eduardo Gomes e Fábio Osório Monteiro
Canções: Leo Fressato
Trilha sonora original e direção musical: Luciano Salvador Bahia
Direção de arte e identidade visual: TANTO CRIA (Patricia Almeida, Fábio Steque e Daniel Sabóia)
Coordenação técnica: Larissa Lacerda
Figurino e adereços: Luiz Santana
Assistência de direção: Larissa Lacerda e Marina Martinelli
Colaboração artística: Ellen Mello e Jacyan Castilho
Supervisão vocal: Manuela Rodrigues
Desenho de luz: Larissa Lacerda
Coordenação geral: Ellen Mello
Produção: Tais Bichara e Cândida Monte
Financeiro: Marília Pereira
Administrativo: Julia Coelho
Comunicação: Paula Berbert
Uma realização da Dimenti Produções Culturais
Classificação indicativa: 16 anos