D! NEWS Nº 08 – Ago/2025

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A D!MENTi News está de volta para anunciar a 17ª edição do nosso IC Encontro de Artes, que convoca à Festa no Front! Entre os dias 20 e 31 de agosto, o festival acontece em Salvador, Candeias e Madre de Deus – pela primeira vez em sua história, se expandindo em outras cidades além da capital, onde as atividades ocupam oito diferentes espaços. Pensar o IC17 como festividade em zona de conflito é assumir que a arte não está fora da crise: ela acontece com a crise, no conflito, contra a lógica que exige que se produza uma suposta paz onde há urgência. É afirmar que palco, rua, corpo e gesto podem ser armas sensíveis de criação e crítica. É permitir que a festa seja não só alívio e distração, mas também espaço de elaboração política e coletiva. Um ritual material e simbólico de presença. Vem pro front dessa festa!

IC17 Festa no Front

Desde 2006, quando foi criado, o IC, que é um festival multilinguagem realizado pela Conexões Criativas em parceria com a Dimenti Produções Culturais, tem suas edições orientadas por um lema: uma questão motivada por inquietações contemporâneas que orientam a composição da curadoria, atualmente realizada por Ellen Mello, Jorge Alencar, Larissa Lacerda e Neto Machado.
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Um festival pode ser abrigo, mas também tensão, ruído, sobreposição. Pode ser trincheira simbólica e material/territorial, onde os corpos se reúnem não só para compartilhar obras, mas para convocar presenças, fricções, afetos e insurgências.
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Atualmente, diversos trabalhos nas artes do corpo e da cena têm se aproximado da ideia de festa, pensando e reconfigurando seus sentidos em diferentes camadas. A festa aparece como rito, celebração, desvio ou crítica; como território onde o corpo transborda sua função social e inventa outras formas de presença. Em muitos desses trabalhos, a festa não é apenas um tema, mas uma linguagem dramatúrgica própria onde se torna chão e motor de criação.
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O mote curatorial “Festa no Front” convida a pensar festa e luta não como opostas, mas como forças que se atravessam mutuamente. Nem só escape, nem só enfrentamento: a festa como desvio radical da norma; a guerra como o deslimite insuportável de uma sociedade colapsada.
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No limiar entre colapso e resistência, o corpo se move. O corpo é capaz de dançar em relação com a violência e com a escassez como gesto de invenção, afirmação e sobrevivência. Diante do excesso de controle e do apagamento, o corpo festivo pode carregar o desejo. Como trincheira, tambor e barricada.
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“Festa no Front” como linha de frente de outras éticas em tempos de barbárie. Quais corpos podem festejar? O que pode uma festa numa zona de conflito? No front, a festa é fim, é meio, ou é o que nos resta?

27/ago, 19h | Teatro Experimental (Escola de Dança da UFBA)

R$ 50 e R$ 25 | Classificação: 14 anos

A abertura oficial do IC17 é com a coletivA ocupação (SP) com seu segundo espetáculo: “ERUPÇÃO – O levante ainda não terminou”. Uma cena de festa e guerra, onde teatro, dança e performance espiralam o tempo. Quinze performers se transfiguram em seres de diferentes cosmologias. A erupção como pulsão é traduzida em corpos que encarnam revoltas do passado e presente. Entre os tremores da experiência da colonialidade, pergunta em um contexto de luta: o que é o fim de mundos e a criação de novos?

27/ago, 20h | Área externa do Teatro Experimental (Escola de Dança da UFBA)

Gratuito | Classificação: Livre

Tem festa feminista e de descolonização com a IGBADU – Orquestra de Berimbaus de Mulheres (BA)! O coletivo é formado por capoeiristas que têm em comum o reconhecimento sobre a importância do berimbau em suas formações, rompendo barreiras impostas às mulheres de gerações anteriores. Reunir estes instrumentos nesta malta de mulheres é apontamento de um futuro já em curso!

28/ago, 19h | Teatro Gregório de Mattos

R$ 50 e R$ 25 | Classificação: 18 anos

Um dos espetáculos mais celebrados no circuito atual das artes pelo mundo, “Repertório N.2”, de Davi Pontes e Wallace Ferreira (RJ), parte da questão “Como criar uma dança de autodefesa?” e incorpora técnicas não convencionais e informais de práticas autodefensivas. Através da mimese, de padrões rítmicos e de poses, a dupla expande as percepções de tempo e espaço, enquanto constrói uma leitura crítica da história da dança, investigando vocabulários de movimento que dialogam com as éticas negras.

28/ago, 20h | Espaço Cultural da Barroquinha

R$ 50 e R$ 25 | Classificação: 14 anos

“Candomblé da Barroquinha”, do DAN Território de Criação (BA), faz uma ode ao Candomblé Ketu, maior e mais popular nação do Candomblé no Brasil. Com direção de Thiago Romero e texto de Daniel Arcades, a montagem celebra o povo negro diaspórico, trazendo à cena as vivências cotidianas de Marcelina, uma jovem abian, e da comunidade à sua volta, para contar a história do mais antigo templo de culto africano do país.

29/ago, 17h | Terreiro de Jesus

Gratuito | Classificação: Livre

O IC vai para a rua com “DEBANDADA”, do Debonde (RJ), que se une a artistas da Bahia do Grupo UZARTE e da Escola de Dança da Funceb para esta apresentação. Uma intervenção urbana itinerante que atravessa e é atravessada pela rua, num movimento estrondoso no qual artistas da dança passam, arrastam, sustentam, rabiscam e ocupam o espaço urbano, realocando as conotações estigmatizadas que a rua e os seus corpos carregam.

29/ago, 19h | Casa Preta Espaço de Cultura

R$ 50 e R$ 25 | Classificação: 18 anos

O espetáculo-festa “CAVUCADA – a festa não será amanhã” comemora mais de duas décadas de história e intensa atuação da Cia Dançurbana (MS), rememorando as coreografias do repertório da companhia e apresentando danças festivas de diversas referências. Com direção de Jorge Alencar e Neto Machado (BA), a peça mostra o que em nós se prende, balança, despenca e se expande quando dançamos.

29/ago, 20h | Casa Preta Espaço de Cultura

Gratuito | Classificação: 18 anos

É “Mini Ball” da House of Mamba Negra (BR), coletivo artístico Ballroom nascido em 2019, com atuação em várias partes do país, que deseja colocar o corpo como potência de criação e garantir a continuidade de narrativas insurgentes. Nessa noite, o grupo reúne a comunidade Ballroom de Salvador em uma celebração da vida de corpos dissidentes. A competição terá quatro categorias – beleza, estética, moda e performance –, com prêmios em dinheiro.

30/ago, 18h | Teatro do Goethe-Institut Salvador

R$ 50 e R$ 25 | Classificação: 18 anos

“Há uma festa sem começo que não termina com o fim” é o mais novo trabalho do Pavilhão da Magnólia (CE), grupo vencedor na categoria Destaque Nacional no 35º Prêmio Shell de Teatro. Rito coletivo de festa e de teatro, a peça é uma celebração da memória e da experiência. Quatro artistas, tal qual páginas soltas de um livro, folheiam o tempo e convidam o público a percorrer a experiência.

30/ago, 20h | Pátio do Goethe-Institut Salvador

R$ 50 e R$ 25 | Classificação: 18 anos

O show oficial do IC17 é com a festejada e vibrante cantora, compositora e atriz potiguar Juliana Linhares (RN), que traz a potência de sua obra que exalta um Nordeste luminoso, desconstruido de estereótipos, com narrativas próprias. Seu trabalho irradia beleza e alegria, além de inquietudes de uma mulher atenta aos desafios dos nossos tempos.

31/ago, 11h | Santo Antônio Além do Carmo

Gratuito | Classificação: Livre

O encerramento do IC17 bota a “Festa no Front” em seu solo certeiro: o cortejo nas ruas. O Bloco De Hoje a Oito (BA) anuncia que “Hoje é dia de retomada”, da Cruz do Pascoal até o bar Oliveiras, onde haverá feijoada. Fundado em 2011 a partir de um movimento independente, o DHJA8 consolidou-se como uma expressão de autenticidade e criatividade no carnaval de rua em Salvador.

Há anos, o dramaturgo, escritor, pesquisador e criador em teatro e performance Szymon Adamczak (POL/HOL) vem pensando o HIV como um vírus que o acompanha e, ao fazer isso, cria um campo relacional ao seu redor e ao redor de todas as pessoas para quem sua presença é uma realidade material. Trabalhando com a questão do HIV como criador em performance, ele foi levado a refletir sobre as noções de transformação, devir e reumanização – ideias que o inspiraram a se engajar com as formas como a cultura contemporânea aborda o vírus, a pandemia recente e suas histórias passadas, presentes e futuras. No “Intercâmbio artHIVismos”, o artista tem curiosidade em explorar como múltiplas perspectivas vindas do Brasil e da Europa Central e Oriental podem ressoar e dialogar. Os encontros serão nos dias 27 e 28 de agosto, das 9h às 12h, na Casa Arte Dá Trabalho. São 10 vagas gratuitas, com inscrições prévias pelo site www.icencontrodeartes.com.br.

O IC17 também promove três bate-papos, de 28 a 30 de agosto, sempre às 15h, na Casa Arte Dá Trabalho. Todos são abertos ao público.
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O primeiro, “Corporificando Dramaturgias Promíscuas”, será com Szymon Adamczak (POL/HOL). A conversa vai explorar como a dramaturgia e o feedback podem se tornar práticas eticamente orientadas para apoiar e fortalecer outras pessoas em seus processos de transformação – nas artes e para além delas. Szymon se interessa por uma orientação promíscua do cuidado, que convida à experimentação sobre como responder às diferentes necessidades dos corpos e de que maneiras isso pode acontecer.

Os outros dois bate-papos serão espaços de conversa a partir das obras da programação do IC, investigando como cada trabalho articula ideias como festa e front, colisão e folia, corpo e política, em suas singularidades poéticas. A artista Monica Santana (BA) participa de ambos com um gesto performativo de criação em tempo presente, elaborando um pensamento visual por meio da técnica da facilitação gráfica.

No dia 29, em “Qual a festa do seu front?”, o convite é para pensar quais celebrações habitam os fronts das cenas que compomos. Como a alegria alimenta o enfrentamento? Onde está a vitalidade no risco, na ira política, na resistência que dança? Quem tem direito à festa? Participam a coletivA ocupação (SP), Davi Pontes e Wallace Ferreira (RJ), Juliana Linhares (RN) e Pavilhão da Magnólia (CE), além da pesquisadora convidada Rita Aquino (BA).

No dia 30, em “Qual o front da sua festa?”, estarão artistas de obras que trazem a festa como solo criativo e político. No âmago dessas obras, há urgências que não se deixam adiar: a festa é também denúncia, grito, ritual e continuação. Como a festa, como força dramatúrgica e estética, pode pulsionar certos fronts de luta na cena contemporânea? Como articular celebração e insurgência sem cair na distração? Em que medida festejar junto é gesto político e prova das alegrias ativas? Participam a Cia Dançurbana (MS), o DAN Território de Criação (BA) e o Debonde (RJ), junto com a pesquisadora convidada Lu Paixão (BA).

Conduzida pelos artistas-educadores Mandi Gouveia, Dandara Patroclo, Luana Bezerra, Tais Almeida, Salasar Junior e Wagner Cria, do coletivo Debonde (RJ), a ação objetiva compartilhar as metodologias de criação da performance “DEBANDADA”, como jogos de observação e interação com as pessoas e o espaço físico em torno e as linguagens Passinho Foda, Capoeira, Afro House e Jongo que estão inseridas no trabalho. No IC Encontro de Artes, a residência artística será feita entre os dias 25 e 29 de agosto, das 15h às 18h, no Terreiro de Jesus, com integrantes do Grupo UZARTE e da Escola de Dança da Funceb, abarcando a construção de uma experiência coletiva de arte com a rua, a ser apresentada no próprio festival.

Pela primeira vez, o IC Encontro de Artes expandiu suas atividades para além de Salvador, resultado da parceria com a Transpetro, a maior companhia de logística multimodal de petróleo, derivados e biocombustíveis da América Latina. O patrocínio viabilizou essa presença inédita primeiramente com a realização da Oficina de Iniciação à Produção Cultural, ministrada por Ellen Mello e Tais Bichara, em cinco cidades, entre maio e junho: Itagibá, Madre de Deus, Candeias, Jequié e Itabuna. Em julho, o curso foi realizado em Salvador, onde também ocorreu a Oficina de Iniciação à Comunicação em Cultura, com Paula Berbert e Aline Valadares. De cada turma realizada, uma pessoa bolsista foi selecionada para acompanhamento na prática dos trabalhos do festival, durante duas semanas, com bolsa auxílio e todas as despesas de viagem cobertas para bolsistas do interior.

O 17º IC Encontro de Artes volta a Candeias e Madre de Deus com programação artística comandada pelo Debonde (RJ). Nas duas cidades, nos dias 20 e 21 de agosto, será realizada a Oficina Volta pra Base, com estudantes da Escola Municipal Papa Paulo VI (Candeias) e do Complexo de Educação Municipal Professor Magalhães Netto (Madre de Deus). No dia 22 de agosto, o coletivo apresenta intervenção urbana “DEBANDADA”: de manhã, às 10h30, em Candeias, na Escola Municipal Papa Paulo VI, e de tarde, às 17h, na orla de Madre de Deus.

O IC17 tem patrocínio da Transpetro, por intermédio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), do Ministério da Cultura, via Programa Transpetro em Movimento, que impacta positivamente quase 300 mil pessoas em 55 municípios brasileiros, em todas as regiões do país. Com capilaridade nacional, o primeiro edital público de patrocínio incentivado da Transpetro valoriza e promove a circulação de traços culturais brasileiros e a formação profissional, fortalecendo a diversidade e estimulando a inclusão de públicos minorizados ou em situação de vulnerabilidade. Mais de 80% dos projetos contemplados acontecem em comunidades tradicionais ou em áreas de periferia, com público prioritário formado em sua maioria por crianças e adolescentes.

O IC Encontro de Artes também conta com apoio plurianual do Edital de Eventos Culturais Calendarizados, realizado pelo Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia: um mecanismo fundamental para assegurar alguma estabilidade à realização desses eventos — a exemplo de mostras e festivais —, com natureza estruturante, no que diz respeito à formação de um calendário cultural, e estratégica, enquanto catalisadora de uma política pública. Através deste edital, o IC tem ainda mais duas edições garantidas, em 2026 e em 2027.

Das 16 edições passadas do IC Encontro de Artes, o Arquivo D! desta vez rememora o IC12, realizado em 2018 — sim, naquele ano fatídico. Em outros tempos de crises sociais, políticas, econômicas e simbólicas de grandes magnitudes, o 12º IC Encontro de Artes foi movido pelo mote “Arte como Luta” e apresentou espetáculos, performances, shows e intervenções protagonizados por elencos de representatividade em questões de raça, sexualidades, direitos civis e movimentos sociais, artistas e ativistas cujas criações se posicionavam naquele momento frente a linchamentos públicos. Linn da Quebrada, Daspu, RaSHa SHow, José Urutau Guajajara e os artistas censurados Elisabete Finger, Maikon K, Renata Carvalho e Wagner Schwartz foram destaques do evento, que também trouxe, pela primeira vez a Salvador, a coletivA ocupação em seu espetáculo de estreia, “Quando Quebra Queima” — não à toa, o grupo retorna ao IC este ano. Arte e política caminhando juntas, sempre.
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Confira aqui 👇

IC12 Arte como Luta

Dimenti Produções Culturais

www.dimenti.com.br

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